quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

BITCOIN: ONDE MORA O PERIGO


Bitcoin: Nova Forma para Velha Especulação

Por Fernando Nogueira da Costa

A visão liberal da história enxerga qualquer moeda apenas como uma mercadoria a mais, escolhida segundo critério de comodidade e/ou segurança por um sistema econômico auto regulável, sem a arbitrária intervenção estatal. Assim, a história monetária se reduziria à pesquisa das distintas características essenciais ou requisitos físicos da moeda-mercadoria.


Nesse sentido, essa visão se confunde com a numismática, isto é, a ciência que se ocupa das moedas. Numisma é a moeda cunhada por senhores feudais, daí a etimologia da expressão “senhoriagem”: tributo que se pagava como reconhecimento de um senhorio. Referia-se ao direito que o concessionário da cunhagem da moeda pagava ao soberano. Na época contemporânea, se transformou na diferença entre o valor real – poder aquisitivo de fato – e o valor nominal da moeda: aquele com que o Estado emissor paga seus funcionários e fornecedores.
Na verdade, os atributos físicos requisitados para ser uma moeda pouco importam para nos entendermos sua essência. Por exemplo, a pedra-moeda, na Ilha de Yap, na Micronésia, não oferecia muita facilidade de manuseio e transporte como ocorre quando pequena quantidade corresponde a grande valor. Esculpia-se a moeda e a fincava na terra como símbolo de riqueza atribuída pela comunidade aos detentores.
É mera curiosidade saber que o sal foi escolhido, para evitar falsificações, por sua indestrutibilidade e inalterabilidade – exceto com liquidez, quando vira água salgada do mar. Daí o pagamento de “salário”. Pecus (gado) não permite divisibilidade, para dar trocos, e uma boa moeda tem de permitir múltiplos e submúltiplos. Um boi todo “marcado” em seu couro o dificulta ser transferível pelo portador.
Pecus está na etimologia de pecuniário – relativo a dinheiro – e peculato: crime de desvio de um patrimônio ou valor público por funcionário que tenha acesso a eles em razão da sua função. É crime específico do servidor público (ou equiparado como político profissional em “cargo de confiança”) e trata-se de um abuso de confiança pública.
As formas de moeda foram se transformando em direção à sua “invisibilidade” material: moeda-mercadoria - metal-cunhado - papel-moeda conversível - moeda fiduciária (não-conversível) - moeda bancária (escritural). Houve progressiva desmaterialização.
A moeda-bancária, por exemplo, exigiu a constituição do sistema bancário, o uso generalizado do cheque com câmara de compensação, e a percepção de que a reconversão ao lastro monetário, isto é, ao encaixe bancário, não era solicitada por todos clientes ao mesmo tempo. Toda fidúcia está baseada em confiança. Logo, todas as formas de moeda se respaldam em crença: ação de crer na possibilidade de alguma coisa. É espécie de convicção íntima ou opinião que se adota com fé quase religiosa. O especulador a respeito do futuro sempre “quer crer”...
Qual é a inovação financeira da moeda eletrônica ou digital? Não ser baseada em fidúcia estatal, ou seja, não ser emitida por um Estado nacional, mas sim estar circulando em escala mundial através de rede de computadores ligada pela internet. Bit é a sigla para Binary Digit [dígito binário], constitui a unidade de informação em computador ou cibernética equivalente ao resultado de uma escolha entre duas alternativas.
Os nerds em tecnologia, no caso, os Cyberpunk ou Ciberanarquistas, se cansaram de reunir “alta tecnologia e baixa qualidade de vida” (High tech, Low life). Buscaram elevar a qualidade de sua vida. Para isso, mesclaram ciência avançada, como as tecnologias de informação e a cibernética, com algum grau de mudança radical na ordem social.
Leigos em Economia Monetária, durante a crise mundial de 2008 descobriram que o poder do sistema bancário multiplicar moeda é fruto de efeito de rede, no caso, regulado pela Autoridade Monetária estatal. Não aceitando a submissão da sociedade aos poderes governamentais de “salvar bancos grandes demais para falir”, e adotando uma ação coletiva que se opõe, radicalmente, à autoridade do Estado, os Ciberanarquistas inovaram ao criar uma moeda digital fora da regulação estatal.
Há conceitos simples por trás dessa inovação monetária. Moeda é um ativo – forma de manutenção de riqueza – comumente oferecido ou recebido pela compra ou venda de bens e serviços. Moeda oficial é aquilo que o Estado recebe como pagamento de imposto. Já dinheiro é um ativo monetário, criado pelas forças do mercado e/ou pelo poder do Estado, com aceitação geral – legal e social – para desempenhar todas suas funções. Quais são essas funções? Meio de circulação, medida de valor, reserva de valor, capacidade liberatória de dívida, padrão de pagamento diferido, enfim, instrumento de poder econômico. Para ser dinheiro, uma moeda tem de cumprir as três primeiras funções, ou seja, ser meio de pagamento, unidade de conta e reserva de valor.
bitcoin, por exemplo, é uma moeda internacional aceita por ainda relativamente poucos especuladores só como reserva de valor e unidade de conta. Portanto, é um dinheiro parcial, não pleno, pois seu uso disseminado como meio de pagamento dependeria de mais rapidez no processamento das transações e da redução de custos de transação. A oferta e a demanda determinam sua cotação. No caso de bitcoin, a oferta está dada em cerca de 16,5 milhões de unidades em circulação. Em seu caso, a demanda cria a oferta, ao contrário do que prega a Lei de Say? Cria no mesmo ritmo de conversão entre moedas oficiais e criptomoeda?
No início, após 2009, o uso de moedas virtuais era mais para o tráfico de drogas. Os usuários entravam em sites na internet (“deep web”) e compravam produtos ilícitos pagando com criptomoedas e os recebiam via Correios. Hoje, há pelo menos oito tipos de condutas criminosas, como o estabelecimento de empresa de fachada que atua na venda de mercadorias e recebe créditos proveniente de outras empresas especializadas em vendas pela internet para posterior distribuição de dinheiro a pessoas físicas.
Outro esquema usa cartões de credito e empresas fictícias para movimentação e pagamento de faturas de cartão em valores maiores do que os devidos. Assim se constitui um crédito no meio de pagamento que, posteriormente, é sacado no Brasil ou exterior.
Outro crime citado é o chamado “ransomware”, no qual ataques em escala mundial com um vírus sequestra dados de empresas e pessoas e condiciona a liberação ao pagamento de valores em moedas virtuais. Também se compra e vende imóveis por valores abaixo do mercado com posterior pagamento das diferenças via criptomoedas.
Há, além disso, a constituição de empresa de fachada com atuação em comércio internacional, para abrir uma conta em corretora de moeda virtual, que passa a centralizar a movimentação de moedas digitais de diversas pessoas físicas, como se fossem clientes independentes. Por exemplo, os recursos transferidos para a corretora de moeda virtual são utilizados para compra de bitcoins no Brasil e posterior venda em outros países, com objetivo de remeter recursos para o exterior. Assim, operações fictícias de comércio exterior e corretoras de câmbio realizam remessa ilegal de divisas.
Um efeito de rede, também designado externalidade de rede ou busca de economias de escala, é o efeito que um adquirente de um ativo tem sobre o seu valor para outros compradores. Quando o efeito de rede estiver presente, o valor dessa forma de riqueza depende do número de aquisições realizado por outras pessoas.
Quanto mais bitcoins adquirem os especuladores, mais valioso se torna a moeda digital para cada proprietário. Isso cria uma externalidade positiva mesmo porque um deles pode comprar uma criptomoeda sem a intenção de criar valor para os outros utilizadores dela, mas acaba por fazê-lo. As redes sociais online funcionam da mesma forma retro alimentadora. Logo, as moedas virtuais alcançam maiores cotações quanto mais compradores aderirem.
Depoimentos de “celebridades” ou imaginários sucessos alheios, quando todo o ser humano se imagina superior aos outros, aquecem essa febre especulativa, validando a profecia autorrealizável. Compra-se porque a cotação está subindo e esse valor cresce porque está se comprando. Torna-se o clássico caso de Pirâmide da Felicidade (ou Esquema Ponzi) quando as novas entradas que determinam os ganhos dos que saem antes da explosão da bolha especulativa. Ela não tem fundamentos em geração de empregos e renda, mas sim está inflada com base em mera troca de propriedades.
Externalidades de rede negativas também poderão ocorrer quando os utilizadores das criptomoedas para ganhos fáceis reverterem suas expectativas face aos “mineradores” ou validadores das transações. Usando um computador potente, estes ficam testando uma combinação de letras e números até encontrar a chave correta do próximo bloco da cadeia. O blockchain é o protocolo da confiança em registros compartilhados.
No caso do bitcoin, um novo bloco é adicionado à cadeia a cada dez minutos. O minerador ou grupo de mineradores que consegue descobrir a chave antes dos outros fica com a recompensa, que hoje é de 12,5 bitcoins a cada intervalo. Com o tempo, o prêmio vai diminuir em quantidade.  Em congestionamentos de rede, os “mineradores” podem registrar maior quantidade de um ativo com menor valor.
Assim como os efeitos positivos de rede podem criar um ciclo de feedback positivo quando a rede se torna mais valiosa e mais pessoas se juntam a ela, o inverso também é verdadeiro. Em todas as bolhas, os espertos insiders saíram antes de sua explosão e os idiotas outsiders constataram que entraram para a inflar – e ficar com o mico-preto.  -  (Aqui).

VEM AÍ, FINALMENTE, UMA BOA NOVA


Ykenga.

O FANTASMA TACLA DURÁN RONDA OS DOUTOS

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Com o perdão do trocadilho, o fato de estarem a impedir que Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, fale à Justiça está dando o que falar. É incompreensível que as revelações contidas no depoimento (aqui) de Tacla à CPMI da JBS tenham sido praticamente ignoradas também pela grande imprensa brasileira. Consta que a impassividade da imprensa decorre do fato de que não se deve dar crédito a um 'meliante', o que, aliás, é também o argumento invocado pelo juiz da Lava Jato. A propósito, vejamos o que afirma (AQUI)) o procurador Celso Três (que atuou no caso Banestado) ao site Diário do Centro do Mundo acerca da reação do juiz Sergio Moro em face da acusação, de Tacla Durán, de que o advogado Carlos Zucolotto, amigo do magistrado, tentara lhe vender facilidades num acordo de delação premiada (para o que Zucolotto contaria com o apoio de um certo "DD"): 
"Aquilo é muito estranho. Compromete o juiz. Como magistrado, ele não pode fazer defesa incondicional de quem quer que seja. Nem eu, como procurador, posso fazer defesa incondicional. Também desqualificar Tacla Durán não ajuda. Afinal, delações são feitas por criminosos".

Afinal, as alegações de Tacla Durán terão, ou não, consequência? Teria a 'antecipação' da data do julgamento do recurso do ex-presidente Lula pelo TRF4 algo a ver com as acusações feitas por Tacla Durán? Por que certos procuradores estão tão, digamos, inquietos?


Procurador de Curitiba xinga CPMI da JBS , mas não esclarece caso Tacla Durán

Do Jornal GGN

O procurador de Curitiba Carlos Fernando dos Santos Lima usou as redes sociais para xingar o relatório parcial da CPMI da JBS de "patético" e atacar os responsáveis pelo documento, os deputados Carlos Marun e Wadih Damous. Mas não teceu nenhum comentário sobre o motivo que o levou a ser citado na investigação que envolve a delação da Odebrecht: as denúncias feitas pelo advogado Rodrigo Tacla Durán.

Em poucas linhas, Lima limitou-se a dizer que "Carlos Marun e Wadih Damous são a melancólica face de um sistema político decadente. Ser mencionado no patético relatório da CPMI só pode ser considerado como um elogio, pois quem desperta a raiva dos vilões está no caminho certo."

O relatório parcial concluiu pelo pedido de investigação contra Lima e outros procuradores que atuaram diretamente na tentativa de acordo de delação premiada com Tacla Durán.

A negociação acabou frustrada e o advogado, após ser denunciado na Lava Jato, deixou o País rumo à Espanha e, de lá, revelou que recebeu um pedido de propina de Carlos Zucolotto, amigo pessoal de Sergio Moro e ex-sócio de Rosângela Moro, para "melhorar" a proposta feita pelos procuradores. Em mensagens entregues à CPMI, Zucolotto diz que precisava do dinheiro "por fora" para pagar aqueles que estariam ajudando nos bastidores. Entre eles, uma figura denominada "DD".

Também nas redes sociais, Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba, chamou o relatório de "deplorável".

"Deplorável o relatório da CPMI da JBS que isenta políticos implicados e ataca os investigadores. (...) Os colegas da Lava Jato Carlos Fernando Lima, Roberson Pozzobon e Júlio Noronha são um exemplo de dedicação profissional e cívica à causa anticorrupção e à sociedade. É uma honra para mim trabalhar com eles", disse Dallagnol.

O coordenador ainda disse que "a atuação nossa [nos acordos de delação] não é isolada: todas as decisões importantes são tomadas pelo grupo de 13 procuradores, o que permite que a experiência se una a diferentes especializações e visões de mundo."

Além de uma investigação sobre os procuradores de Curitiba e a delação de Durán, o relatório da CPMI centra fogo em Rodrigo Janot e a delação da JBS, além de pedir a aprovação de uma lei que regulamente o instituto da colaboração premiada.  -  (AQUI).

CARTUM DE ANTIGAMENTE


André Farias.

PETER SCHIFF: CRASH REAL AINDA ESTÁ POR VIR

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Palavras atribuídas a certo político francês: "Das várias maneiras para se atingir o desastre, o jogo é a mais rápida, as mulheres a mais agradável - e consultar economistas a mais segura".
Tudo bem, mas, por via das dúvidas, às vezes é bom deixar as barbas de molho...
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Segundo a Wikipedia, Peter Schiff, 54, empresário e comentarista financeiro norte-americano, titular da corretora de valores Euro Pacific Capital Inc. "é conhecido por suas visões sobre tendências baixistas (em inglês, bearish views) sobre a economia norte-americana e o dólar norte-americano, bem como tendências altistas (em inglês, bullish views) nas commodities, especialmente ouro."


"O preço do ouro explodirá e dólar será liquidado", alerta economista Peter Schiff

Do RT News

Peter Schiff foi dos poucos economistas que previram corretamente a crise financeira em 2008. Dez anos depois, ele vê outra crise emergir: uma que pode levar ao crash o mercado de ações e liquidar o dólar americano. 

"Prevejo mais do que o mercado de ações afundar outra vez. Prevejo uma crise financeira e, ainda mais importante, o que o governo faria em consequência da crise financeira e o que seriam as consequências disso devido ao caminho em que estamos. O crash real que mencionei no meu livro mais recente ainda está por vir", disse Schiff em artigo publicado pelo USAWatchdog.com, de Greg Hunter, e citado pelo ZeroHedge.

Segundo Schiff, o Fed dos EUA [Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos] inflou uma bolha gigantesca, que é impossível estourar, mas se isso ocorresse, as consequências seriam muito penosas para a economia e muito maiores do que o colapso de 2008. 

"Penso que esta bolha é muito grande para estourar. Penso que é a mãe de todas as bolhas e quando explodir, não há nada que o Fed possa fazer para inchar [ainda mais] a fim de mascarar estes problemas, o que significa que não podemos mais chutar a lata rua abaixo. Desta vez, a crise está em vias de atingir todo o mercado", disse ele, comparando os US$ 20 milhões de milhões (trillion) da dívida dos EUA com um camelo carregado com fardos de palha.

"Quantos fardos você pode colocar nas costas de um camelo? Você não sabe até o momento em que coloca o fardo final, que é excessivo, e você quebra suas costas. Assim, estaremos nós com uma dívida de US$ 25 milhões de milhões. Talvez, em algum momento vamos quebrar as costas do camelo com toda esta dívida. Então descobriremos quanta dívida podemos acumular e isso não vai ser bonito", disse Schiff.

"Toda o mundo está em vias de perder, de ser varrido pelo que tem sido a festa no mercado de ações, no mercado de títulos e no mercado imobiliário. O dólar está em vias de afundar e o poder de compra em vias de ir para o lixo.".

Schiff disse que o atual sistema financeiro também fracassaria na redução artificial dos preços de metais preciosos.

"Se continuarem fazendo isso, a redução artificial do preço dos metais preciosos cessará. Iremos saber somente no momento em que chegarmos a isso. A dúvida é: por quanto tempo mais eles podem conter o preço do ouro? Saberemos quando chegarmos lá. Em algum momento, o preço vai explodir porque há compra física real e todos os papéis vendidos não podem camuflar", disse o gestor monetário.

De acordo com Schiff, o ouro é a alternativa real à moeda fiduciária (fiat money) e as pessoas iriam começar a duvidar se podem realmente confiar em bancos centrais.

"As pessoas não confiam em divisas fiduciárias... Cada vez mais pessoas estão à procura de alternativas e a alternativa real é o ouro. Quando elas o abraçarem, vai esmagar a capacidade dos bancos centrais para conter o preço", afirmou.  -  (AQUI).

O INEXORÁVEL TEMPO


Pavel Constantin. (Romênia).

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

NUMA DESCONTRAÍDA EFEMÉRIDE...


Zé Dassilva.

DE COMO PHILIP MARLOWE VOLTOU À AÇÃO (III)

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Para ler o Capítulo 2, clique AQUI.
Sebastião Nunes, autor da série, é natural de Bocaiuva, MG, escritor, editor, artista gráfico e poeta. É também titular de um blog no Portal Luis Nassif OnLine.


O país dos canalhas - Capítulo 3 - Batendo na porta certa

Por Sebastião Nunes

Cheguei ao STF às 11 horas da manhã, quando decerto encontraria o ministro Gilmárcio Mendelson polindo as unhas.


– Seu nome? – indagou um porteiro grandão, truculento e bigodudo.
– Philip Marlowe, detetive particular de Los Angeles.
– Que isso, cara, de Los Angeles? – o porteiro parrudo deu uma risada. – E a que devemos a honra de sua visita?
– Quero falar com o ministro Gilmárcio Mendelson.
– Agora ele não pode. Está polindo as unhas. Tente depois do almoço.
– Ele vai me receber, mesmo polindo as unhas. Estou representando Ednardo Cunha e preciso encontrá-lo com urgência.
– Vou ver se ele pode.
Tinha uma placa PROIBIDO FUMAR mas não dei a mínima. Estava na segunda tragada quando o grandalhão voltou e mandou entrar.
– Preciso tirar os sapatos?
O sujeito me olhou como se eu fosse a reencarnação de Buda.
– Não. Aqui não é igreja nem nada do tipo. Aqui é o Supremo Tribunal Federal, onde são julgadas as grandes questões do país. Portanto, muito respeito.
– Respeito a quê?
Ele só me encarou sem responder. Entrei no recinto sagrado.

POLIMENTO DE UNHAS
 Refestelado em sua poltrona acolchoada, o ministro Gilmárcio realmente polia as unhas. Reconheci logo a figura: o chapelão ministerial, a barba ministerial, as comendas ministeriais, os óculos ministeriais, os beiços ministeriais – enfim, um porco ministerial. Não parecia judeu, a despeito do sobrenome, mas resolvi perguntar:
– Desculpe a pergunta, ministro, mas senhor é judeu?
Ele me encarou, os bugalhos vermelhaços, e sorriu, se aquele esgar era sorriso.
– Eu tenho lá cara de judeu?
– Não sei – respondi. – Mas o senhor tem cara de quem come os semelhantes.
– Antropófago, você quer insinuar?
– Nada disso. Carne suína mesmo.
Ele me encarou com a testa franzida. Parecia irritado.
– Não gosto dessas brincadeiras. Por que Ednardo o mandou aqui?
– Ele quer habeas corpus preventivo para a turma dele. Vão assaltar a Casa da Moeda e precisam estar protegidos pela lei.
Ele soprou as unhas, depositou a lixa de lado e me encarou.
– Habeas corpus não são bombons. Em nome de quem ele quer?
– De quatro cardeais: Ednardo Cunha, Sérgio Cobreiro, Joseph Serrote e Amnércio Naves. Pode ser um para os quatro ou quatro individuais. No dia do assalto eles querem estar soltos que nem passarinho.

PRESTAÇÃO DE CONTAS
– Disseram quanto e quando vão pagar? Ou pensam que aqui no Supremo nós trabalhamos de graça que nem relógio?
– Desculpe – disse eu. – Pensei que a remuneração de magistrado cobrisse essas tarefas miúdas. Não me disseram nada sobre pagamento.
– Pelo visto, vocês, detetives particulares, conhecem pouco de leis. Vou explicar melhor, usando um texto do próprio Raymond Chandler, seu criador. Escute. Tirou um livro da gaveta, folheou, encontrou a passagem e começou a ler.
“Os advogados escrevem leis para que outros advogados as dissequem na frente de outros advogados chamados juízes, e para que outros juízes possam dizer que o primeiro grupo de juízes estava errado e o Supremo dizer que quem estava errado era o segundo grupo. Claro que existe uma coisa chamada Lei, com maiúscula. Estamos afundados nela até o pescoço. Ela só serve para dar emprego aos advogados, desde os pés-de-chinelo de porta de cadeia até nós, Ministros Superiores. Aliás, quanto tempo você acha que os chefões das organizações criminosas iriam durar se os advogados não lhes dessem instruções sobre como fazer as coisas?”
Ele se interrompeu, fechou o livro, cruzou as mãos sobre o barrigão e me encarou sem dizer nada. Ficou só olhando.
– Concordo, doutor – disse eu depois de algum tempo. – Deve ser assim mesmo que funcionam os advogados e a lei. Troca de favores. Compra e venda. Barganha.
– Pois é – respondeu o ministro Gilmárcio, a banha se movendo debaixo dos dedos cruzados. – Quem compra precisa pagar. Eles não disseram quanto?
– Não, senhor, não disseram. Mas meus honorários incluem o pagamento das despesas que eu seja obrigado a fazer. Posso pagar por eles e, com um recibo do senhor, creio que depois serei ressarcido.
O ministro soltou uma gargalhada retumbante como o hino nacional. Recostou-se na poltrona e continuou rindo e tentando recuperar o fôlego.
– Não entendi a graça, doutor – disse eu sem graça. – Poderia me esclarecer, se não for demais?
– Posso, meu filho – respondeu ele enxugando as lágrimas volumosas dos olhos empapuçados. – É muito simples: quem lhe disse que corrupção passa recibo? Onde lhe disseram que favor por debaixo dos panos dá troco? Nos Estados Unidos sei que não foi. Coisa como essas dão cadeia pesada na sua terra.
– Então fica difícil, doutor. Sem recibo não tenho como provar o pagamento. E assim não recebo nada.
– Vou ligar para o Ednardo – disse o ministro Gilmárcio. – Como menino de recados você está me saindo uma boa bosta.
Deixei passar e fiquei em silêncio enquanto ele discava.  -  (Fonte: aqui).
(Continua)

JOVEM NEGRA TEM DUAS VEZES MAIS CHANCES DE SER MORTA NO BRASIL


Gilmar.

A CARTA DO TACLA

              [Quer ouvir minha cartinha?  /  Mas de jeito nenhum!]
Aroeira.
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Parafraseando Fernando Sabino: Deixem o Tacla Durán falar!

DA SÉRIE A INDÚSTRIA DA DELAÇÃO PREMIADA, PARTE 15

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Para ler a parte 14, clique AQUI.
Muitas abordagens 'blogosféricas' (e poucas da mídia corporativa)  foram feitas sobre o depoimento - com praticamente quatro horas de duração - do senhor Tacla Durán (AQUI) à CPMI da JBS.  Cumpre lembrar que o que se tem sobre a matéria, até o momento, são acusações graves, porém carentes de investigação/comprovação, o que poderia ocorrer num estágio seguinte, a cargo da parte oposta, que, no entanto, se mantém silente desde a data do depoimento, 30 de novembro. É justamente o contrário do que o bom senso e o senso de justiça estão a recomendar: que alguma instância se manifeste. Administradores e fiscais da Lei não poderiam comportar-se de modo indiferente diante de conteúdo tão forte. Nesse sentido, aliás, poderá soar sintomático o fato de o TRF4 haver marcado, para o dia 24 de janeiro próximo, o julgamento do recurso interposto pelo ex-presidente Lula a propósito de sua condenação pelo juiz Sergio Moro...
À parte 15, então:
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Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um vídeo de Joaquim de Carvalho, analisando declarações de Tacla Durán, na CPMI, que envolvem o primeiro amigo de Moro, Zucolotto e suas ações como advogado de ligação. Outras matérias da série podem ser vistas aqui.



Exclusivo: Tacla Durán x Sergio Moro - Zucolotto apaga os rastros

(Joaquim de Carvalho/Luis Nassif)

Na série especial "A indústria da delação premiada", uma parceria entre Jornal GGN e DCM - Diário do Centro do Mundo, Joaquim de Carvalho aborda o depoimento de Rodrigo Tacla Durán na CPMI do Congresso. O advogado, que Sergio Moro quer esquecer que existe, dá as coordenadas para a Comissão da atuação de Zucolotto, primeiro amigo do juiz de piso.

Tacla Durán, na CPMI, relatou episódios envolvendo Zucolotto, situações graves que merecem uma investigação cuidadosa, pois que configuram crime.

Joaquim relata parte de sua conversa com Tacla Durán, em Madri, que dá corpo às declarações na CPMI.

(Para ver os vídeos, clique AQUI). 

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Notas

a) Pedimos desculpas pelo fato de não saber 'transportar' vídeos da 'fonte' para este blog; 

b) Vale a pena ler os comentários dos leitores, na 'fonte'. São bastante interessantes;

c) Para inteirar-se sobre o que ocorre acerca dos recibos de aluguéis do apartamento do Guarujá, vizinho ao de residência do ex-presidente, clique AQUI para ler "Laudo pericial confirma que aluguéis são autênticos e que foram emitidos em oportunidades diversas".

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

JERUSALÉM: CORREÇÃO

               "Jerusalém não é a capital de Israel nem da Palestina.
               Ela é a minha Capital!"

Marian Kamensky. (Áustria).

ECOS DE: BRASILEIROS VIVEM LONGE DA REALIDADE DOS FATOS

                    (Clique na imagem para ampliá-la)

"A organização de pesquisa de mercado Ipsos Mori, uma das maiores do Reino Unido, publicou seu relatório anual de 2017 (5/12) sobre a percepção pública das populações de vários países do planeta sobre temas presentes na vida pública e na imprensa internacional, como terrorismo, criminalidade, gravidez de adolescentes, imigração e presença nas redes sociais. A ideia é por a teste a capacidade de diferentes grupos sociais em distinguir fatos concretos de suposições sem comprovação. ..."

(Pata ler "Pesquisa inglesa informa que brasileiros vivem longe da realidade dos fatos", por Sérgio da Motta e Albuquerque, clique AQUI).

ESTE BRASIL


Este Brasil

Por Jânio de Freitas

Ninguém, parece mesmo que ninguém, tenta pensar o Brasil em seu pleno sentido e em seus possíveis amanhãs. É um país sem estratégia, sem ideia do que é e conviria vir a ser no mundo. Na grande tecitura internacional, não vive do que faça para uma inserção desejada, mas do que cada dia lhe traz. Segue adiante porque os dias se sucedem. Condicionado integralmente pelo mundo exterior, perplexo, lerdo, segue.

Com uma gama invejável de minérios, tantos outros recursos e grandes necessidades de consumo, nunca teve uma política industrial. País de latifundiários e fazendeiros, suas políticas agropecuaristas são mera distribuição discricionária de dinheiro e privilégios, de uso à vontade. E nem isso, para uma ciência coordenada com objetivos nacionais e contingências externas.

É difícil pensar um país assim. É difícil pensar mesmo o Brasil atual, o país de hoje. Já a partir do mais grotesco e rudimentar na situação imediata: como explicar, por exemplo, o convívio familiar entre a empolgação generalizada com os êxitos contra a corrupção e, de outra parte, a tolerância indiferente com a Presidência da República ocupada e usada por um político acusado de corrupção, formação de quadrilha, obstrução de justiça, e salvo de processos mediante a corrupção de deputados com cargos e verbas do Orçamento?

Presidência povoada por notórios como Moreira Franco, marginais como Geddel Vieira Lima, acusados como Eliseu Padilha, e deputados, senadores e ministros com lastros semelhantes na polícia e na Justiça?

É difícil pensar um país assim, capaz de contradição tão corrosiva.

Mas esse país é o da contradição em que militares americanófilos e a classe dominante deram um golpe em nome da democracia e por 21 anos aprisionaram a nação na ditadura. Muitos dos artífices dessa contradição ali completavam uma outra, de que foram parte quando em 1945 derrubaram o Getúlio para o qual deram um golpe e impuseram uma ditadura.

Convertidos à democracia, como diziam, em sua pequena convivência com oficiais americanos na Itália da Segunda Guerra, os derrubadores de Getúlio ajudaram a entrega do poder, por via de "eleição democrática", ao general que sustentou a ditadura até a queda. A vasta fraude que contribuiu para o resultado eleitoral, movida pelos "coronéis" do interior, foi silenciada a pretexto de não se desmoralizar a primeira eleição da "democracia".

Contradição em cima de contradição. O normal no país em que os primeiros bafejos de democracia vieram de uma ditadura, com a legislação social de Getúlio –inclusive as Leis Trabalhistas agora estupradas.

É difícil desenvolver a compreensão desse Brasil, tão inculto, tão controvertido, tão amalucado. Esse Brasil exultante com as ações contra a corrupção e indiferente à ocupação de sua Presidência por uma declarada quadrilha de corruptos.

O Brasil é você. O Brasil somos nós.  

(Fonte: Folha de S Paulo; postagem reproduzida pelo Jornal GGN - aqui).

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Este Brasil!

ADEUS ÀS ARMAS


Tacho.

ADEUS ÀS ARMAS


J Bosco.

DISCORRENDO SOBRE ABUSOS MIDIÁTICOS E OUTROS ABUSOS

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Antes, um registro: há tempos, estaria a aguardar julgamento do STF um pedido de 'decretação' de inconstitucionalidade da condução coercitiva nos moldes exercitados pelas autoridades da Lava Jato, ou seja, a condução forçada - "de supetão", "debaixo de vara" - do cidadão para depoimento, quando a lei e a doutrina preveem que ela só pode acontecer na hipótese de o investigado deixar de atender a uma primeira convocação. Consta que a matéria teria sido pautada, mas, estranhamente, jaz adiada sine die. Enquanto isso, a mídia encara as "conduções" como procedimentos plenamente normais...


Abusos e amadorismo da mídia para cobrir as truculências da Polícia Federal

Por Luis Nassif

Paula Cesarino Costa é uma ombudsman à altura dos melhores que a precederam, como Marcelo Beraba e Mário Magalhães.
Sua crítica de hoje, ao espaço dado às operações policiais contra Universidades permite levantar uma característica não muito nova, mas que se estratificou nos últimos anos: a incapacidade dos jornais de se renovarem. Nos programas de qualidade existe o método PDCA, ou Planejar, Fazer, Checar e Agir. Trata-se do bê-a-bá da qualidade.
Os jornais, que tratam a questões da eficiência, da qualidade como palavras mágicas, são incapazes de reavaliar procedimentos básicos. No caso, como se comportar ante uma denúncia da polícia.
Desde o caso Escola Base já se sabia do risco de se fiar na palavra de um delegado - ou de um procurador, ou de um juiz, ou de um repórter quando acha que conseguiu o grande furo.
Nos últimos anos, com a disseminação das forças tarefas, da operação-espetáculo, a submissão à versão do policial se tornou uma epidemia.
Explica o editor de “Cotidiano: “a cobertura segue o mesmo critério jornalístico de outras ações policiais e não há adesão a qualquer campanha. Publicamos o fato, as alegações da corporação e os outros lados dos citados".
Evidente que há um conjunto de falhas na cobertura.
Fossem empresas do setor moderno da economia, os jornais procederiam ao PCDA desse processo de cobertura de operações policiais.
A incapacidade de relativizar denúncias
É ampla a  incapacidade da imprensa de relativizar episódios. É só conferir o discurso dos jornalistas econômicos da Globo sobre o fim de recessão, com a economia no fundo do poço. A economia estava em 10. Caiu para 2 e subiu para 2,1. Todos os comentários salientam a recuperação, sem qualificá-la: a intensidade, a comparação do PIB com o de pré-crise etc.
É como se uma recuperação de 4% tivesse o mesmo significado de outra de 0,1%.
No campo penal, é pior. Todos os crimes são tratados da mesma maneira, seja um desvio de verba, uma irregularidade administrativa ou a alta corrupção. Essa ignorância da mídia acaba se espraiando por toda a sociedade, ajudando a consolidar o espírito de linchamento cada vez mais presente.
A apuração da denúncia
Segundo o editor, o repórter publica a denúncia e ouve o outro lado. A polícia falará genericamente em desvios. Para valorizar a manchete incluirá o valor total do empreendimento como se fosse desvio. E só. Não há um detalhe sobre a natureza do objeto investigado.
Principalmente porque nesses tempos bicudos de abusos policiais, as vítimas sequer sabem do que estão acusadas.
No caso da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) só depois do suicídio do reitor Luiz Carlos Cancellier apareceram as informações de que não havia nenhuma espécie de envolvimento dele com os fatos denunciados. A ficha do delator apareceu apenas nas reportagens dos Jornalistas LIvres, não dos jornalões. E os abusos da delegada Erika Marega apareceram apenas nos sites e blogs independentes. Mesmo tendo torrado dinheiro público para transportar 120 policiais para deter 8 pacatos professores universitários.
No caso da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), tome-se a sentença da juíza Raquel Vasconcelos Alves Lima, que articulou com a Polícia Federal a invasão.  A sentença vazou apesar do processo ser considerado sigiloso. Lá se fala em organização criminosa e apresenta como um dos crimes a distribuição de bolsas. Diz que o crime é suficientemente grave para justificar a condução coercitiva. E a mídia aceitou normalmente, porque no pé da matéria, escondido, havia algum outro lado negando sabe-se lá o que.
Ora, um mínimo de discernimento mostraria o ridículo dessa armação, de uma perigosíssima quadrilha que desviava dinheiro para bolsas de estudo.
Em nenhum momento, os jornalistas procuraram entender a natureza do trabalho denunciado. Nem se preocuparam em checar o ridículo da acusação com a juíza ou os delegados.
Pior. Havia a informação de que o Ministério Público Federal (MPF) de Minas Gerais considerou abusivas as ordens de condução coercitiva. Mas não se procurou um procurador para apresentar suas razões.
Coube a portais alternativos - como o GGN - apurar a armação da juíza com os delegados, visando impedir os procuradores de segurar a condução coercitiva.
Um Manual de Bom Jornalismo 
O que se tem claramente - do mesmo modo que nos episódios da Escola Base e Bar Bodega - são repórteres policiais comendo nas mãos de policiais repórteres, juízes delegados, e procuradores juízes.
Se se quiser praticar um mínimo de jornalismo, há que se seguir um conjunto de princípios da boa técnica:
Toda declaração de delegado é, em princípio, suspeita. O delegado é um vendedor do seu trabalho, assim como o repórter pretendendo emplacar a manchete.
O último veio descoberto pelas milícias de Estado é a criminalização de procedimentos administrativos nas Universidades. Se se quiser impedir o transbordamento do arbítrio e praticar um jornalismo minimamente decente, os jornais deveriam orientar seus repórteres na seguinte direção.
  1. Nunca confiar na palavra do delegado. A informação é ponto de partida. A delegada Erika é responsável pelo suicídio de uma pessoa meramente porque pretendeu turbinar uma operação corriqueira, de suspeita de desvio de recursos.
  2. Não se fiar nas conclusões do despacho do juiz, se não vier acompanhado de elementos de provas.  O despacho que autorizou os abusos na UFMG não foi questionado em nenhum ponto pela mídia, mesmo quando apresenta como prova da organização criminosa a concessão de bolsas.
  3. Procurar qualificar a natureza do suposto crime que está sendo apurado. Na burocracia pública, desvios de verba nem sempre são indicativos de corrupção. Podem ser recursos remanejados de um lugar para tapar buracos em outro. Enquadram-se no campo das irregularidades administrativas, sujeitas a multas pecuniárias. Mas não são crimes de corrupção.
  4. Se não tiver discernimento, o repórter deve ouvir especialistas para analisar a dimensão da operação, ante o crime tratado. Por exemplo, supostos desvios de verbas podem ser apurados nos registros da Universidade, do Ministério que liberou as verbas. A condução coercitiva só se justifica quando há riscos do acusado ser alertado e eliminar provas. Se são ilícitos administrativos, e se são convidadas a depor pessoas sem suspeita direta, nada justifica a violência.  -  (Fonte: aqui).
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Sugestão de leitura:
"Após três anos de Lava Jato, ministro do STF toma atitude contra vazamento" - clique AQUI -, em que o Jornal GGN focaliza matéria do jornal O Globo sobre o assunto. Três anos! Pior, só a falta de providências contra as conduções coercitivas lavajatenses.

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Registro

Alguns veículos da mídia corporativa relataram (e cobraram as providências corretivas devidas, como Elio Gaspari) os fatos que culminaram na morte do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo, submetido a suplício brutal, conforme sustentamos na série "A morte do reitor Cancellier: esquecimento, não" - AQUI.

Como seria de esperar, eis que a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) emitiu nota de repúdio às manifestações contra fatos relacionados à Operação Ouvidos Moucos (AQUI), exatamente a que fluía quando do suicídio de Cancellier. 

A Constituição da República assegura o direito à livre manifestação, razão por que nos permitimos dizer que o caminho mais conveniente a seguir é o de aguardar os resultados das investigações acerca dos fatos, as quais, esperamos, irão desenvolver-se plenamente - e com a indispensável isenção -, no âmbito do Ministério da Justiça, se é que é razoável esperar-se isso em tempos tão confusos.